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segunda-feira, 7 de março de 2011

Siderais II


  • Outro haicai em videopoema. É o segundo da série "Siderais", que por sua vez pertence ao livro Sendas de Bashô. A ideia é simples: em passeio por um jardim noturno, o humano lança o olhar para o céu de palavras... : o desejo é esse mar de vazios, o mar desiderium. Veja e ouça em alto volume, para também curtir o barato da música em céu de Spielberg - ninguém pintou um céu noturno como Spielberg!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Neirinho bom de prosa

  • Outro poema para crianças (e adultos). Acho que a Daniele vai gostar.   

Eta fala saborosa
do Neirinho bom de prosa!

Fala pobrema e vrido,
já ouvi até ruildo.
Pra pedir mais salpicão,
inventa o tar sarapicão.

Conta causos sem parar,
que até faz desconfiar.
Que trem nessa língua enrola,
que não aprendo na escola?


Mas a nossa diferença
não vejo como doença,
nem merece a nossa ofensa.
É só jeito de nascença


- que tem lá sua conhecença !


Eta fala saborosa
do Neirinho bom de prosa!

Caco-cola



Este videopoema é uma recriação, com recursos semióticos distintos, do famosíssimo texto de Pignatari, "Coca-Cola". Vale a leitura, não só pelo surpreendente "cloaca" invasivo/arrotado e pelo final "rockinrio". Puro pastiche! O eixo da composição é o processo de "destruição" do "monstro-estereótipo" (vide Barthes) e sua ideologia gosmenta, aqui transfigurado no som impactante das garrafas que se quebram em cacos/palavras. É isso aí!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Delito literário

Fachada de uma livraria na rua Lavalle, Buenos Aires. Quem viu primeiro o motivo  foi meu genro Rubens - o Ilustrador. Fotografei e depois fiz a intervenção: a foto do meu rosto, em alto-contraste, do lado direito.  

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Beijo ! roubado

  • Outro videopoema. Este faz parte de uma série de haicais cinéticos. Gravei em outra resolução, no videomaker, parece-me que  a visualização em tela cheia  melhorou.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Haicais

  • Eis os primeiros sete haicais da série Sendas de Bashô. É um projeto que ficou na gaveta também por um bom tempo (dez anos!). É o meu exercício de poesia em outra chave. Alguns estiveram, como pôsteres, numa exposição do Mackenzie, em 1999, se eu não me engano. E alguns também foram publicados no primeiro número da revista Todas as Letras, do Mackenzie.

Sendas de Bashô

O jardim

O jardim. Precioso tecido de avencas, musgo, lua, camélias e romãs, outros verdes, claros e noturnos tons, seixos e água, folhas de pele seca, carpas, pássaros, lendas e vento, sereno madruga no tempo. O país e suas escuras sendas.

A um longe - o jardim
R (astro) entre antigas pedras
Pa (ra) lavra viva

As carpas

Adivinhar as carpas na água em movimento. O que dizem as carpas fugidias, resvalando no leito/lama ?

Translúcida ... lâmina
L’ ânima trêmula fulva
In profundo flúmen

O bonsai

O bonsai e seu código. A delicada e paciente arte nas mãos do escultor do tempo: a poda de raízes para preservar a vida, o desenho nos rebentos, antevendo futuros, velho galho rugoso. Jins e sharis. As múltiplas - mas limitadas - possibilidades de movimento: fukinagashi, kengai, bujingi, neagari, moyogi ... Na fina bandeja de porosa argila, a pequena árvore habita o coração do olhar. Repousa, viva, a eterna ausência.

Árvore em flor
As (t) ramas da angústi
Ante ilusão do instante


O jardim de pedras

Na tradição oriental, o jardim de pedras é um espaço zen. Sobre o chão, um tapete de seixos, cascalhos, ou areia grossa. Nesse leito mineral rarefeito, dispõem-se, em irregular harmonia, pedras/rochas de tamanhos variados. Eis que brota, orgânico, o haikai.

Dor me leve a pedra
Sobre os cascalhos do tempo
Ser ao sopro um dia



O velho

A ponte em curva sobre o riacho e nuvens vermelhas de fim de tarde. Por instantes, o vento silencia: cabelos brancos, rugas no olhar, cicatriz.

Deslizando ao poente ...
Sol – um velhote vê da ponte –
Fio d’água ridente


A lanterna

Da água à terra, das mãos ao fogo, entre as ameixeiras, ao pé da varanda, com seu quase não brilho, diz ao viajante da noite esta lanterna: A casa é também sua. Entre.

Olhar do jardim noturno
Pulsante (re) vela
Luz de silêncio: jasmim


Silêncio noturno

Só mesmo a palavra pode revelar o indizível da noite. Só nela canta o pássaro seu silêncio em agonizante gozo. E nesses sons se esconde a música que não existe a não ser nesses sons. Irônico sorriso esse da noite.

Entre brisas e grilos
O pássaro silencia
E captura um sorriso


Poema

  • Imago
  1. A mulher se desenha a lápis, sombra, rímel, blush, batom. Define assim sua beleza, o arco-íris dos olhos, as curvas da água da boca, fruta fresca, na tela-espelho da manhã.
  2. Mais bem desenha-se a mulher, porém, em outro olhar-paisagem, leve chiaroscuro, indelével debuxo, com os esfuminhos (apagada em sua presença) da alma: só o véu, do fantasma.