poemas para crianças
Aqui vocês podem ler alguns poemas feitos especialmente (mas não exclusivamente) para crianças. Pertencem à série Na roda da redondilha. Foram escritos em fevereiro e março de 2004, logo depois que o João nasceu. É uma homenagem a ele! A cada semana a página ganhará um novo poeminha, até completar a série. Este primeiro é bem bakhtiniano... Valete fratres!
Brincar com palavras, sim,
por que não? Maior barato!
Brinquedo que não tem fim
e que não custa quase nada.
Joguinho muito, muito barato
e até encanta! Mesmo, de fato!
Provoca tanta risada...
e nasce feito capim.
Mas, atenção: cuidado tem de ter:
a mesma palavra pode ser...
às vezes... um elogio,
um som todo macio...
E às vezes... um palavrão!
Provocando baita confusão!
Chegou cheia de alegria:
- Mãe, olha o que disse a tia,
que em junho - maravilha! -
vou mesmo dançar quadrilha!
Dançar quadrilha!
Cheia de orgulho e vaidade,
a mãe, só felicidade,
comprou vestido rodado,
ornou com fita e babado.
Sua filha ... dançar qua-dri-lha!
E passou o mês de maio
cochichando com a vizinha,
alterou tanto a rotina,
quase chegou ao desmaio.
Porque ela ia ... dançar quadrilha!
No dia da festa junina
faz trancinha na menina
ruge e baton na carinha
meia sapato fitinha ...
Afinal, ela era a sua filha!
Que ia dançar... qua-dri-lha!
Eis que na exata hora,
ajeitando sua presilha,
todos já indo pra escola,
confusa pergunta a filha,
pra sua mãe que quase chora:
Mas, mãe, quem é essa tal de Drilha?
Num tinha jeito o moleque.
Nada de falar “umbigo”.
Nem ligava pra castigo
o teimoso serelepe.
Dizia: É bigo! É bigo!
O certo é bigo, e pronto!
E a tia, no contraponto,
Não é bigo, é umbigo!
Fulo da vida, uma vez,
respondeu logo depois:
É um bigo,sim, Doninês,
cê pensou que era dois?